Cidades

Eu não vim de fora.

Nasci em Rio das Flores, cresci em Valença e trabalhei na saúde pública de três municípios desta região. Aqui está minha relação com cada cidade — e o que eu me comprometo a olhar em cada uma.

Valença Rio das Flores Sapucaia Vale do Café Centro-Sul Médio Paraíba

Valença · onde eu vivo

Doze anos no Hospital Escola

Valença é a minha cidade. Cresci aqui, estudei em escola pública aqui, e voltei para cá quando me formei no Rio.

Trabalhei doze anos no Hospital Escola — comecei como enfermeira assistencial e terminei como diretora administrativa, cargo que ocupei por nove anos. Nesse período eu fiz o projeto executivo de abertura da Maternidade Escola, implantei a enfermagem obstétrica e trouxe a UTI Neonatal para a cidade.

Foi aqui também que eu liderei a construção da primeira linha de cuidado para mulheres vítimas de violência do município.

Se você passou pelo Hospital Escola nos últimos quinze anos, é bem possível que a gente já tenha se encontrado. Eu passava nas enfermarias e conversava com as famílias, mesmo depois de virar diretora. Minha porta ficava aberta.

Em 2024 eu fui a mulher mais votada de Valença. Não fui eleita, mas aquilo me mostrou que as pessoas reconhecem o trabalho de uma vida inteira.

O que eu levo daqui para a Assembleia: Valença tem hospital-escola, maternidade e UTI Neonatal — e isso faz da cidade uma referência para os municípios vizinhos. Referência regional custa dinheiro, e precisa de financiamento à altura do que ela absorve. É disso que eu vou tratar.

Rio das Flores · onde eu nasci

Dirigi a saúde da cidade onde nasci

Eu nasci em Rio das Flores. Em 2023 voltei como Diretora Geral do serviço de saúde do município.

Cheguei numa estrutura que não tinha processo definido. Organizei os serviços, montei plano de educação permanente e plano de qualidade, e defini protocolos, treinamentos e fluxos — porque sem isso nenhuma equipe consegue entregar resultado, por melhor que seja.

E implantei dois serviços que a cidade não tinha:

Foi trabalhando em Rio das Flores que eu entendi de vez o quanto uma rede integrada muda a vida de quem cuida de alguém.

O que eu levo daqui: cidade pequena não pode depender da boa vontade de um gestor para ter saúde mental e neuropediatria. Isso tem que ser estrutura permanente, com recurso previsto.

Sapucaia

O projeto do Hospital Municipal

Fui convidada pela Secretária de Saúde de Sapucaia para participar do projeto executivo de abertura do Hospital Municipal.

O convite veio porque ela conhecia o trabalho da Maternidade Escola de Valença — e porque aquele projeto não foi só de estrutura física. Foi de estrutura de trabalho: equipe, fluxo, protocolo, acolhimento.

É essa a diferença entre inaugurar um prédio e abrir um serviço que funciona. Eu já vi hospital inaugurado com festa e sem escala de plantão definida.

O que eu levo daqui: abrir unidade é a parte fácil. Sustentar é o problema — e é onde o estado precisa estar junto do município.

Vale do Café

Barra do Piraí, Vassouras, Paty do Alferes, Miguel Pereira, Mendes

Estas são as cidades vizinhas às minhas. Muita gente daqui já passou pelo Hospital Escola de Valença, e muita gente daqui trabalha na saúde e me conhece do trabalho.

O que eu vejo em comum entre elas é isto: são cidades com serviço de saúde que funciona no limite, sem folga para o inesperado, e com um número enorme de famílias cuidando de alguém em casa sem nenhum apoio formal.

Vassouras tem particularidade própria, com faculdade de medicina e hospital universitário. Formar profissional de saúde no interior é uma coisa; fixar esse profissional no interior é outra, muito mais difícil — e é assunto que eu conheço de dentro, porque passei anos tentando montar escala com rotatividade alta.

Meu compromisso aqui: levar a Roda do Cuidado a cada uma dessas cidades, mapear quem cuida, e transformar esse mapa em proposta concreta de Escritório de Cuidado.

Chamar a Roda para a minha cidade

Centro-Sul

Três Rios, Paraíba do Sul, Areal, Comendador Levy Gasparian, Eng. Paulo de Frontin

Este é o corredor onde eu trabalhei como gestora municipal, e é onde a conta da saúde do interior fica mais visível.

Tem cidade aqui que não tem hospital nenhum. E tem cidade com hospital de pequeno porte, muitos ligados a Santas Casas e fundações, funcionando em estrutura antiga.

O problema mais grave é específico: boa parte dessas unidades não consegue fazer nem a estabilização inicial de uma doença tempo-sensível — um infarto, um AVC, um trauma. E esse primeiro atendimento, feito na hora certa, decide mais do que a vaga de alta complexidade que vem depois.

Enquanto se discute regulação de leito, tem gente perdendo a janela de tempo na porta do hospital da própria cidade.

Meu compromisso aqui: tratar a capacidade de estabilização das unidades de pequeno porte como prioridade, e não como detalhe técnico.

Chamar a Roda para a minha cidade

Médio Paraíba

Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Itatiaia, Piraí, Pinheiral, Porto Real, Quatis, Rio Claro

Sou honesta: não trabalhei nestas cidades e não vou dizer que conheço o dia a dia delas como conheço o de Valença.

O que eu conheço é o problema que atravessa toda a região — e que aqui aparece com outra escala. São cidades maiores, que recebem paciente do interior inteiro, e onde a fila e a fragmentação da rede pesam sobre as mesmas pessoas de sempre: as mulheres que cuidam em casa e não têm a quem recorrer.

Meu compromisso aqui: chegar, ouvir e voltar. Sem discurso pronto sobre uma realidade que eu ainda não vi de perto.

Quero receber a Josiê na minha cidade

A agenda é construída semana a semana

Se você quer que a Roda do Cuidado passe pela sua cidade, me avise. Onde tem gente reunida, eu vou.

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