A causa
Eu passei dezessete anos cuidando da minha mãe e doze dirigindo serviço de saúde. Isto é o que eu aprendi nos dois lugares — e não consigo mais desver.
O problema
Quando uma família descobre uma doença longa em casa, ela é jogada de um lugar para outro. Vai no posto, mandam para a secretaria. Vai na secretaria, mandam para o hospital. Volta no posto porque falta um papel.
O resultado tem nome. As pessoas deixam de receber o tratamento, deixam de conseguir o medicamento e deixam de conseguir o benefício — não por falta de direito, mas por falta de força para ir cada dia num lugar diferente.
A proposta
Um serviço municipal, com endereço, que faz duas coisas.
Hoje ninguém sabe quantas cuidadoras existem em cada município, quem são nem do que precisam. Sem esse mapa, nenhuma política pública chega.
Tratamento, medicamento, benefício, transporte, reabilitação, apoio psicológico e orientação jurídica — no mesmo lugar.
O cuidado não dura uma semana. Dura anos — às vezes décadas. E é devastador quando a família enfrenta isso sozinha.
O que uma deputada estadual pode fazer
Sentar com cada município, ver o que falta e buscar emenda para construir a estrutura de cuidado ali.
Ir em cada município ver como está a estrutura de cuidado — de verdade, não por relatório.
Participar das discussões sobre regulação e rede de saúde como profissional que trabalhou dentro dela.
O cuidado só vira prioridade quando deixa de ser invisível. Levar o tema para a Assembleia e mobilizar.
A urgência
Tem cidade na nossa região sem hospital nenhum. E tem cidade com hospital de pequeno porte, ligado a Santa Casa ou fundação, funcionando em estrutura antiga.
Boa parte dessas unidades não consegue fazer nem a estabilização inicial de uma doença tempo-sensível — um infarto, um AVC, um trauma.
Esse primeiro atendimento, na hora certa, decide mais do que a vaga de alta complexidade que vem depois. Enquanto se discute regulação de leito, tem gente perdendo a janela de tempo na porta do hospital da própria cidade.
O que me indigna
Eu vi uma família precisando de ambulância ser mandada de um lugar para outro. Perguntei se não podia ser agendada direto. Disseram que não — que a família tinha que ir lá. Que era muito difícil conseguir, mas que determinada pessoa conseguiria.
E a família saiu de lá agradecida, achando que tinham feito um favor.
Quando o sistema não funciona, a pessoa precisa procurar um político para conseguir o que já é direito dela. E sai devendo. Isso não é ajudar. Isso é usar a dor das pessoas.
Foi por ter visto isso de perto que eu resolvi entrar.
Doe para a campanha
Não é um projeto pessoal meu — é um projeto coletivo. Quem financia com pouco, de muita gente, não precisa dever nada a ninguém depois.